Uma dica importante para evitar esses erros e contrapor laudo pericial, resumo, quesitos, conclusão

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Introdução

A prova pericial ocupa papel central no processo judicial moderno, especialmente em demandas que envolvem alta complexidade técnica, científica ou tecnológica. O laudo pericial, elaborado pelo perito do juízo, e o parecer técnico, produzido pelos assistentes técnicos das partes, constituem instrumentos decisivos para a formação da convicção judicial.

Entretanto, não basta que o conteúdo técnico seja correto: é indispensável que ele seja preciso, coerente, bem estruturado e livre de falhas formais ou lógicas. Pequenos erros de redação, omissões ou contradições, especialmente nas fases finais do documento, podem comprometer todo o trabalho realizado, abrindo espaço para impugnações, questionamentos e até invalidação da prova.

O presente artigo analisa, sob uma perspectiva prática e profissional, as principais fontes de erro em laudos e pareceres periciais, bem como estratégias eficazes para sua prevenção e para a contraposição técnica legítima, conforme exposto pelo perito Agenor Zapparoli.


Resumo

A maioria dos erros graves em laudos periciais não ocorre durante a análise técnica, mas sim na fase final de redação, especialmente no resumo, na conclusão e nas respostas aos quesitos. O cansaço mental, a pressa e a falsa sensação de que “o trabalho já terminou” aumentam significativamente o risco de inconsistências. Para mitigar esses riscos, recomenda-se dividir o trabalho em etapas temporais, revisar o documento em dias diferentes e jamais redigir ou revisar sob fadiga. Assistentes técnicos, por sua vez, devem concentrar sua análise nessas seções críticas, onde os erros costumam se manifestar com maior clareza.


Estratégias de Contraposição e Prevenção de Erros em Laudos Periciais

A perícia judicial e a assistência técnica são pilares fundamentais do contraditório e da ampla defesa. Contudo, sua eficácia depende diretamente da qualidade formal e substancial dos documentos produzidos.

O vídeo analisado destaca que não basta ter razão técnica: é preciso expressá-la corretamente, de forma lógica, completa e juridicamente segura.


1. A Importância da Contraposição Técnica

Embora discussões informais entre profissionais sejam úteis para aprendizado e troca de experiências, no âmbito judicial os documentos técnicos exigem rigor absoluto.

Função do Assistente Técnico

Cabe ao assistente técnico:

  • Identificar falhas técnicas, metodológicas ou lógicas no laudo;
  • Indicar com precisão onde está o erro, qual é o erro e por que ele compromete a conclusão;
  • Fundamentar suas críticas em normas técnicas, literatura especializada ou metodologias reconhecidas.

Não se trata de opinião pessoal, mas de contraposição técnica estruturada.

O vídeo estabelece que, embora discussões informais em grupos de profissionais sejam válidas para o aprendizado, erros em documentos oficiais exigem uma postura rigorosa [01:15].

  • Função do Assistente: É dever do assistente técnico apontar falhas no laudo pericial, detalhando para o juiz o que, onde e como o erro ocorreu, sempre com fundamentação técnica [01:22].
  • Função do Perito: Da mesma forma, o perito judicial deve estar apto a contrapor pareceres técnicos que apresentem equívocos.

Função do Perito Judicial

De igual modo, o perito do juízo deve:

  • Analisar criticamente os pareceres técnicos apresentados;
  • Refutar, quando necessário, os equívocos apontados, com fundamentação clara;
  • Manter postura técnica, impessoal e aderente às provas dos autos.

A contraposição técnica legítima fortalece o processo e auxilia o magistrado na formação de sua convicção.


Mapa mental


2. A “Zona de Risco”: Por que os erros ocorrem no final?

O ponto central do vídeo é que a maior parte dos erros fatais não ocorre na fase de exame técnico, mas na fase de redação final.

O Fator Cansaço

Após longos períodos de análise, coleta de dados, testes, exames e fundamentação, o profissional entra em um estado de fadiga mental. Nesse momento, ocorre uma sensação psicológica de “missão cumprida”, o que leva a:

  • Redução da atenção aos detalhes;
  • Aceitação inconsciente de incoerências;
  • Erros de transcrição, omissões ou contradições.

Esse relaxamento cognitivo é uma das maiores ameaças à qualidade do laudo.

A principal tese do vídeo é que a maioria dos erros fatais em documentos periciais não acontece na fase de análise, mas sim na fase de finalização.

O Fator Cansaço [04:17]

Após horas ou dias de análise técnica, o profissional atinge um estado de fadiga mental. Quando ele sente que “o trabalho pesado já terminou”, ocorre um relaxamento psicológico que abre brechas para erros de digitação, contradições lógicas ou respostas incompletas.

As Partes Mais Críticas [04:33]

Agenor destaca três seções onde a probabilidade de erro é máxima:

  1. Resumo: Onde se tenta sintetizar a complexidade e pode-se omitir dados cruciais.
  2. Conclusão: Onde o perito pode se equivocar ao transcrever sua convicção técnica.
  3. Resposta aos Quesitos: Onde respostas curtas demais ou desconexas com a fundamentação podem invalidar a lógica do laudo.

Diagrama explicativo


Não trabalhe cansado

Trabalhar sob fadiga é um dos maiores inimigos da qualidade pericial. O cansaço compromete:

  • A clareza do raciocínio;
  • A precisão da escrita;
  • A coerência entre análise, fundamentação e conclusão;
  • A capacidade crítica de revisão.

A redação final do laudo — especialmente do resumo, da conclusão e das respostas aos quesitos — jamais deve ser feita quando o profissional está exausto. Essa é uma regra de ouro da prática pericial.


3. As Partes Mais Críticas do Laudo

O vídeo identifica três seções onde a probabilidade de erro é significativamente maior:

a) Resumo

Ao sintetizar um trabalho complexo, o perito corre o risco de:

  • Omitir informações relevantes;
  • Simplificar excessivamente conceitos técnicos;
  • Criar descompasso entre o resumo e o corpo do laudo.

b) Conclusão

É o ponto mais sensível do documento, pois:

  • Representa a síntese final do raciocínio técnico;
  • Deve refletir fielmente tudo o que foi fundamentado;
  • Qualquer contradição com a análise compromete a credibilidade do trabalho.

c) Respostas aos Quesitos

Erros comuns incluem:

  • Respostas excessivamente curtas;
  • Falta de correlação com a fundamentação;
  • Ambiguidade ou incompletude.

Essas falhas são frequentemente exploradas em impugnações.


Apresentação explicativa


Leia e releia em outro dia

Uma das estratégias mais eficazes para evitar erros é distanciar-se temporalmente do documento. A leitura feita em outro dia, com a mente descansada, permite:

  • Identificar contradições que passaram despercebidas;
  • Corrigir erros de lógica e coerência;
  • Ajustar a clareza da linguagem;
  • Verificar se a conclusão realmente decorre da fundamentação.

A revisão no mesmo dia tende a ser superficial, pois o cérebro “completa” mentalmente aquilo que o texto não expressa com precisão.


4. Metodologia para uma Elaboração Impecável

O vídeo propõe uma metodologia simples, porém extremamente eficaz, baseada na divisão temporal do trabalho:

1ª Etapa — Execução e Pausa

Após concluir a análise técnica e estruturar o laudo:

  • Não redija imediatamente o resumo, a conclusão ou os quesitos;
  • Interrompa o trabalho e permita que a mente descanse.

2ª Etapa — Elaboração no Dia Seguinte

Com a mente descansada:

  • Redija o resumo;
  • Elabore a conclusão;
  • Responda aos quesitos.

Nesse momento, o raciocínio estará mais claro, preciso e coerente.

3ª Etapa — Revisão Final em Outro Dia

Realize uma leitura integral do laudo, com atenção especial a:

  • Coerência entre análise e conclusão;
  • Consistência das respostas aos quesitos;
  • Clareza, objetividade e ausência de ambiguidades.

Essa etapa é decisiva para a qualidade final do trabalho.

Para evitar ser alvo de impugnações, o autor sugere uma técnica de produção dividida em três etapas temporais:

  1. Execução e Pausa: Após terminar a análise e a estruturação, não escreva a conclusão imediatamente se estiver cansado [05:06].
  2. Elaboração no Dia Seguinte: Escreva o resumo, a conclusão e responda aos quesitos com a mente descansada no segundo dia [05:16].
  3. Revisão Final: No terceiro dia, revise o laudo completo. Esta revisão deve focar especialmente na coerência entre a fundamentação técnica e o que foi escrito na conclusão [05:27].

5. Dica de Ouro para Impugnação (Assistentes Técnicos)

Para o assistente técnico que busca identificar falhas em um laudo, o vídeo fornece uma orientação estratégica clara:

Concentre sua análise prioritariamente no resumo, na conclusão e nas respostas aos quesitos.

Como muitos peritos não seguem a metodologia de revisão em dias distintos, é nessas seções que:

  • Surgem contradições;
  • Aparecem omissões;
  • Evidenciam-se falhas lógicas ou de coerência.

Esses pontos facilitam a construção de uma impugnação técnica sólida, objetiva e eficaz.

Para o assistente técnico que busca contestar um laudo, o vídeo oferece um “mapa da mina”: foque sua atenção primária no resumo, na conclusão e nos quesitos [05:45].

Como muitos profissionais não seguem o método de revisão em dias alternados, é nessas seções que as falhas de raciocínio ou erros materiais costumam aparecer de forma mais evidente, facilitando o trabalho de contraposição e auxílio ao juízo [06:05].


Conclusão

A excelência pericial não se limita ao domínio técnico do conteúdo, mas exige também rigor metodológico, disciplina na redação e seriedade na revisão. Os erros mais graves não nascem da ignorância técnica, mas da pressa, do cansaço e da negligência nos momentos finais do trabalho.

Ao adotar uma metodologia estruturada, revisar o documento em dias distintos, evitar trabalhar sob fadiga e concentrar atenção especial nas seções mais sensíveis do laudo, o profissional eleva significativamente a qualidade de sua produção, reduz riscos de impugnação e fortalece sua credibilidade perante o Judiciário.

Na perícia judicial, tão importante quanto saber é saber escrever — e revisar.


Infográfico explicativo


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