Minha primeira diligência, o que devo fazer?
Este vídeo é um guia prático e essencial para peritos iniciantes que estão prestes a realizar sua primeira diligência de campo. O conteúdo foca na preparação emocional, técnica e logística para garantir que o trabalho seja profissional e livre de erros que possam comprometer o laudo.
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Primeira Diligência Pericial: Guia Completo para Peritos Iniciantes
Introdução
A perícia judicial constitui um dos instrumentos probatórios mais relevantes no processo contemporâneo, sobretudo quando o esclarecimento dos fatos depende de conhecimento técnico ou científico especializado. Nesse contexto, o perito judicial atua como auxiliar da justiça, fornecendo ao magistrado elementos técnicos indispensáveis à formação de seu convencimento.
Nos termos do Código de Processo Civil de 2015, sempre que a prova do fato depender de conhecimento especializado, o juiz será assistido por perito. Dessa forma, a atuação pericial ultrapassa a mera coleta de dados, constituindo verdadeira tradução técnica da realidade fática para o universo jurídico.
Para muitos profissionais, contudo, a primeira diligência de campo representa um momento de grande tensão. É comum que o perito iniciante se sinta inseguro quanto à condução dos trabalhos, à postura adequada perante as partes ou mesmo à organização dos procedimentos técnicos.
Nesse cenário, a preparação prévia torna-se elemento fundamental. Uma diligência bem planejada evita erros processuais, fortalece a credibilidade do profissional e assegura que o material coletado seja juridicamente válido e tecnicamente consistente.
O presente artigo apresenta um guia prático e detalhado destinado a peritos iniciantes, abordando os principais aspectos emocionais, técnicos e logísticos envolvidos na realização da primeira diligência pericial.
Resumo Executivo
A primeira diligência pericial é etapa decisiva na carreira de um perito judicial. O sucesso dessa atividade depende essencialmente de três fatores principais: preparação prévia, organização metodológica e postura profissional adequada.
Entre as recomendações fundamentais destacam-se:
- elaboração de um roteiro de perícia antes da diligência;
- verificação da correta intimação das partes;
- preparação documental e logística;
- manutenção de postura imparcial e independente;
- registro cronológico detalhado de todos os atos realizados;
- preservação da cadeia de custódia das evidências.
A adoção dessas práticas reduz significativamente o risco de impugnações ao laudo e contribui para a consolidação da credibilidade do perito perante o juízo.
Guia para a Primeira Diligência: O que o Perito Judicial Deve Fazer
1. A Primeira Diligência como Marco Profissional
Após a nomeação judicial, a apresentação da proposta de honorários e sua aceitação pelo juízo, inicia-se a fase prática da atividade pericial: a diligência de campo.
Esse momento representa o primeiro contato direto do perito com:
- as partes do processo;
- os assistentes técnicos;
- o objeto material da perícia.
Por essa razão, a diligência deve ser conduzida com elevado grau de organização e profissionalismo, uma vez que qualquer falha metodológica pode comprometer todo o trabalho pericial.
Mapa mental

2. Preparação Antecipada: A Importância do Roteiro de Perícia
Antes mesmo de agendar a diligência, recomenda-se que o perito elabore um Roteiro de Perícia.
Esse documento funciona como um verdadeiro guia operacional para o trabalho de campo, evitando esquecimentos e permitindo que todas as etapas sejam executadas de forma ordenada.
2.1 Conteúdo essencial do roteiro
O roteiro deve conter, no mínimo:
- número do processo;
- vara judicial responsável;
- identificação das partes;
- identificação dos assistentes técnicos;
- endereço da diligência;
- objeto da perícia;
- lista completa dos quesitos formulados.
Os quesitos merecem atenção especial, pois representam as perguntas técnicas que deverão ser respondidas no laudo.
2.2 A importância do roteiro impresso
Embora muitos profissionais utilizem notebooks ou tablets durante a diligência, é altamente recomendável levar uma cópia impressa do roteiro.
Isso previne problemas como:
- falha de bateria;
- dificuldades de acesso à internet;
- problemas técnicos inesperados.
A redundância documental é uma prática comum em atividades periciais justamente para evitar interrupções no trabalho.
A Preparação Antecipada: O Roteiro de Perícia
Antes mesmo de agendar a data, o perito deve elaborar um Roteiro de Perícia [03:15]. Este documento é o seu guia de sobrevivência no campo.
- O que deve conter: Objeto da perícia, endereço, nome das partes e assistentes técnicos, número do processo e, fundamentalmente, os quesitos (perguntas) formulados pelas partes [03:34].
- Dica prática: Leve o roteiro impresso, mesmo que pretenda usar um notebook. Isso evita imprevistos como falta de bateria ou falhas técnicas [07:13].
Diagrama explicativo

3. Verificações Jurídicas Antes da Diligência
Um erro relativamente comum entre peritos iniciantes é realizar a diligência sem verificar se todas as partes foram devidamente intimadas.
A ausência de intimação pode gerar graves consequências processuais, incluindo a anulação da perícia.
3.1 Conferência no sistema do tribunal
Antes de confirmar a data da diligência, o perito deve acessar o sistema processual eletrônico e verificar:
- se houve despacho determinando a intimação;
- se todas as partes foram efetivamente intimadas;
- se os assistentes técnicos foram comunicados.
Nos tribunais brasileiros, essas informações normalmente estão disponíveis no sistema eletrônico como o Processo Judicial Eletrônico.
3.2 O que fazer se houver falha de intimação
Caso o perito identifique que alguma parte não foi devidamente intimada, a atitude mais prudente é:
- entrar em contato com a secretaria da vara;
- informar a irregularidade;
- cancelar o agendamento;
- remarcar nova data com antecedência adequada.
Uma prática comum é fixar prazo mínimo de aproximadamente 30 dias, permitindo que todas as partes se organizem para comparecer.
Verificações Jurídicas Cruciais
Um erro comum é realizar a perícia sem que todas as partes tenham sido formalmente intimadas.
- Conferência no Tribunal: Verifique se o despacho de intimação foi cumprido para todos os envolvidos [05:06].
- O que fazer se não houve intimação: Entre em contato com a secretaria da vara. Se houver falha, o ideal é cancelar e remarcar com nova antecedência (sugestão de 30 dias) para evitar a impugnação futura do seu trabalho [06:13].
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4. Preparação Logística e Documental
No dia da diligência, o perito deve portar documentos que comprovem sua legitimidade para atuar.
Entre os principais documentos recomendados estão:
- despacho de nomeação do perito;
- documento de intimação da diligência;
- cópia do processo ou das principais peças;
- roteiro de perícia.
Esses documentos podem ser necessários caso o perito precise justificar sua presença no local da vistoria.
4.1 Pontualidade e planejamento de deslocamento
A pontualidade constitui elemento essencial da postura profissional do perito.
Recomenda-se:
- chegar ao local com pelo menos 30 minutos de antecedência;
- prever eventuais atrasos no deslocamento;
- considerar trânsito, distância e acesso ao local.
A antecedência permite que o perito organize o ambiente e receba adequadamente os participantes da diligência.
Logística e Documentação de Apoio
No dia da diligência, o perito deve estar munido de documentos que comprovem sua autoridade e função:
- Documentos em mãos: Imprima o despacho de nomeação e o termo de agendamento/intimação [07:37]. Isso é útil caso seja parado por autoridades ou precise justificar sua presença no local [08:25].
- Pontualidade: Chegue com pelo menos 30 minutos de antecedência. Se o deslocamento for longo, saia com folga extra [09:09].
5. Cuidados Pessoais e Independência Profissional
Durante a diligência, o perito deve manter postura de absoluta independência em relação às partes.
Isso inclui evitar qualquer situação que possa gerar suspeita de favorecimento.
5.1 Alimentação e hidratação
Uma recomendação frequentemente ignorada é levar água e eventualmente alimentos próprios.
Diligências realizadas em localidades diferentes podem expor o perito a:
- mudanças na qualidade da água;
- alimentos de procedência desconhecida;
- indisposições gastrointestinais.
Esses cuidados simples contribuem para manter o profissional em boas condições durante todo o trabalho.
5.2 Neutralidade perante as partes
Também é recomendável evitar aceitar:
- cafés;
- brindes;
- refeições oferecidas;
- favores diversos.
Mesmo gestos aparentemente simples podem ser interpretados como quebra de imparcialidade.
A independência do perito é um dos pilares da credibilidade do laudo.
Cuidados Pessoais e Postura Profissional
O vídeo traz dicas inusitadas, mas valiosas, sobre o bem-estar do perito:
- Alimentação e Água: Leve sua própria água e evite consumir alimentos locais para prevenir indisposições gástricas causadas por diferentes tipos de bactérias regionais [09:27].
- Independência: Evite aceitar brindes, cafés ou qualquer agrado das partes para manter a total imparcialidade e evitar questionamentos éticos [12:10]. Peça uma caneta emprestada apenas se for estritamente necessário e devolva-a imediatamente ao final [12:21].
6. Condução da Diligência Pericial
A diligência pode ser compreendida em duas fases principais.
6.1 Fase Formal: Oitiva das Partes
A primeira etapa costuma envolver uma reunião inicial com os participantes da diligência.
Nesse momento o perito deve:
- apresentar-se formalmente;
- explicar brevemente o objetivo da perícia;
- ouvir os relatos das partes.
Uma técnica útil nesse momento é permitir que os participantes falem livremente, demonstrando atenção e respeito.
Muitas vezes surgem informações relevantes que não constam nos autos processuais.
6.2 Fase Material: Vistoria Técnica
Após a fase inicial de exposição, inicia-se a vistoria técnica propriamente dita.
Essa etapa envolve:
- exame do objeto da perícia;
- coleta de evidências;
- registros fotográficos;
- medições e verificações técnicas.
Todo o procedimento deve ser realizado de forma transparente e documentada.
Condução da Diligência: Formal e Material
Agenor Parol divide a perícia em duas fases principais:
- Fase Formal (Oitivas): Reúna as partes em uma sala, apresente-se formalmente e ouça os relatos [12:47]. Use a técnica da condescendência: deixe as partes falarem à vontade e mostre-se atento. Pessoas relaxadas tendem a fornecer informações técnicas valiosas que podem não constar no processo escrito [13:54].
- Fase Material (Vistoria): É a coleta de provas, fotos e exames do objeto [14:45].
7. Registro de Dados e Cadeia de Custódia
A qualidade do laudo depende diretamente da qualidade dos registros realizados durante a diligência.
7.1 Registro cronológico
É recomendável anotar com precisão:
- horário de chegada;
- início das oitivas;
- início da vistoria;
- encerramento da diligência.
Essas informações demonstram organização metodológica e fortalecem a confiabilidade do trabalho.
7.2 Cadeia de custódia
Sempre que houver exame de objetos ou coleta de evidências, o perito deve descrever:
- como o material foi encontrado;
- quem estava presente;
- como foi manuseado;
- quais procedimentos foram adotados.
Essa descrição compõe a chamada cadeia de custódia, elemento essencial para garantir a integridade das evidências analisadas.
A ausência dessa descrição pode comprometer a validade técnica da perícia.
Registro de Dados e Cadeia de Custódia
A precisão nas anotações é o que sustenta o laudo final:
- Cronologia: Anote a hora exata de chegada, início da oitiva, início da vistoria e encerramento [14:23].
- Cadeia de Custódia: Descreva minuciosamente como o objeto foi examinado e manuseado. A ausência dessa descrição pode invalidar todo o laudo [15:00].
- Encerramento: Antes de sair, pergunte se as partes têm algo a adicionar ou se desejam que algo mais seja verificado [15:43].
8. Encerramento da Diligência
Antes de finalizar a diligência, recomenda-se realizar um breve momento de encerramento com os participantes.
Nesse momento o perito pode perguntar:
- se alguma informação adicional precisa ser registrada;
- se há algum ponto que as partes desejam destacar;
- se existe algum aspecto técnico que mereça verificação complementar.
Esse procedimento demonstra transparência e reduz a possibilidade de questionamentos posteriores.
Tabela explicativa
| Etapa da Diligência | Ação ou Documento Necessário | Descrição Detalhada | Momento de Execução | Importância para o Processo (Inferred) | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|
| Preparação Prévia | Elaboração do Roteiro de Perícia | Criar um documento com objeto, endereço, nome das partes, assistentes técnicos, número do processo e todos os quesitos para servir de guia e rascunho. | Antes de agendar a perícia no processo. | Garante que nenhum ponto técnico ou quesito judicial seja esquecido, evitando omissões que geram pedidos de esclarecimentos ou nulidade. | [1] |
| Verificação Processual | Conferência de Intimações | Verificar no sistema do tribunal se todas as partes e advogados foram devidamente intimados sobre a data e local da diligência. | Dias antes da perícia de campo. | Risco de impugnação total da diligência por cerceamento de defesa caso uma das partes não tenha sido cientificada. | [1] |
| Logística e Contingência | Impressão de Documentos de Suporte | Imprimir o roteiro, o despacho de nomeação e o comprovante de agendamento/intimação para uso em caso de falha eletrônica ou abordagem policial. | Antes de sair para o local da perícia. | Evita atrasos ou impossibilidade de realizar o ato por problemas técnicos ou falta de comprovação de autoridade perante terceiros. | [1] |
| Início da Diligência | Identificação e Cordialidade | Chegar com 30 minutos de antecedência, identificar-se como perito nomeado, apresentar documentos se necessário e manter conduta gentil com os presentes. | Ao chegar no local agendado. | Estabelece autoridade e profissionalismo, reduzindo a hostilidade das partes e facilitando a coleta de dados. | [1] |
| Postura Ética | Neutralidade e Recusa de Brindes | Evitar consumir água/café do local e recusar qualquer presente ou brinde, devolvendo prontamente até mesmo objetos emprestados como canetas. | Durante toda a permanência no local. | Evita alegações de suspeição ou favorecimento a uma das partes, o que poderia anular o laudo. | [1] |
| Fase Formal (Oitiva) | Entrevista com as Partes | Realizar a oitiva das partes e assistentes técnicos, sendo condescendente para deixá-los à vontade para fornecer informações relevantes. | Início da parte formal da perícia. | Permite captar detalhes técnicos que podem não estar claros nos autos, fundamentando melhor a conclusão pericial. | [1] |
| Registro Técnico | Registro de Horários e Atividades | Anotar precisamente o horário de chegada, início e término da parte formal, início da vistoria técnica e encerramento. | Durante a execução de cada etapa da diligência. | Documentação cronológica necessária para comprovar a realização do ato e fundamentar pedidos de honorários complementares. | [1] |
| Vistoria Material | Cadeia de Custódia e Registro Fotográfico | Realizar a coleta de fotos e exames do objeto periciado, descrevendo detalhadamente cada passo para manter a integridade da prova. | Durante a perícia de campo (parte material). | A ausência de cadeia de custódia é motivo crítico para a destruição da validade jurídica da prova pericial. | [1] |
| Encerramento | Questionamento Final | Perguntar formalmente aos presentes se há algo mais a adicionar ou coletar antes de finalizar os trabalhos no local. | Antes de deixar o local da diligência. | Previne alegações posteriores de que o perito se recusou a examinar elementos importantes, fechando brechas para críticas ao laudo. | [1] |
| Logística Pessoal | Cuidados com Alimentação e Hidratação | Levar a própria água e evitar alimentos pesados ou derivados de leite para prevenir indisposições físicas durante o trabalho. | No dia da diligência. | Garante a integridade física do perito para conclusão do ato, evitando remarcações por motivo de saúde evitável. | [1 |
Conclusão
A primeira diligência pericial representa um momento decisivo na trajetória de qualquer perito judicial. Mais do que conhecimento técnico, o sucesso dessa etapa depende de planejamento, organização e postura profissional.
Elaborar um roteiro detalhado, verificar previamente as formalidades processuais, manter independência em relação às partes e registrar cuidadosamente todos os procedimentos são práticas que fortalecem a credibilidade do trabalho pericial.
Quando conduzida com método e disciplina, a diligência permite que o perito exerça plenamente sua função essencial no processo: atuar como verdadeiro olhar técnico do juiz, traduzindo a realidade fática em conclusões científicas capazes de auxiliar a justiça na busca pela verdade.
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Guia de Estudo: Preparação e Execução da Primeira Diligência Pericial
Este guia foi elaborado com base nas orientações técnicas para peritos judiciais e assistentes técnicos que realizarão sua primeira diligência de campo. O conteúdo abrange desde a preparação documental e logística até a conduta ética e os procedimentos técnicos necessários para assegurar a validade do laudo pericial.
Síntese de Preparação e Execução
1. Preparação Prévia e o Roteiro de Perícia
A base de uma diligência bem-sucedida é a elaboração de um roteiro de perícia. Antes de agendar a visita, o perito deve estudar o caso profundamente e criar um documento (geralmente em Word) contendo:
- Objeto da perícia e endereço.
- Identificação das partes, advogados e assistentes técnicos.
- Número do processo.
- Relação completa dos quesitos (perguntas formuladas pelas partes e pelo juiz).
- Espaço para rascunho e anotações durante a oitiva.
2. Verificações Jurídicas e Documentação
Antes de se deslocar para o campo, é fundamental confirmar no sistema do tribunal se todas as partes foram devidamente intimadas sobre a data e o local da perícia. A ausência de intimação formal pode levar à impugnação de todo o trabalho. Caso falte alguma intimação, a recomendação é cancelar e remarcar com pelo menos 30 dias de antecedência.
O perito deve portar, preferencialmente de forma impressa, os seguintes documentos:
- O roteiro de perícia.
- O despacho nomeador (documento em que o juiz nomeia o perito).
- O despacho de intimação das partes ou comprovante do protocolo de agendamento.
3. Logística e Conduta Profissional
A postura do perito deve ser de absoluta neutralidade e cordialidade. Algumas diretrizes práticas incluem:
- Pontualidade: Chegar com 30 minutos de antecedência.
- Autonomia Logística: Levar a própria água e café para evitar problemas de saúde (microbiota local) e manter a independência, evitando aceitar cortesias das partes.
- Ética: Recusar brindes ou presentes. Caso precise de material emprestado (como uma caneta), deve devolvê-lo imediatamente ao final para evitar qualquer interpretação de favorecimento.
- Técnica de Oitiva: Ser condescendente e atencioso durante as conversas. Essa técnica visa deixar as partes relaxadas, facilitando a obtenção de informações relevantes que podem não constar nos autos do processo.
4. As Fases da Diligência
A diligência divide-se geralmente em duas etapas:
- Fase Formal: Realização de oitivas e interrogatórios com as partes para entender a dinâmica dos fatos sob a ótica de cada um.
- Fase Material: Coleta de dados técnicos, vistorias, registros fotográficos e análise direta do objeto da perícia.
É imprescindível manter a Cadeia de Custódia, descrevendo minuciosamente todos os passos e o manuseio das evidências, além de registrar rigorosamente os horários de início e término de cada fase.
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Questionário de Revisão (Quiz)
| Nº | Pergunta |
|---|---|
| 1 | Qual é a finalidade principal do roteiro de perícia e quando ele deve ser elaborado? |
| 2 | Por que é necessário verificar se todas as partes foram intimadas antes de realizar a diligência? |
| 3 | O que o perito deve fazer caso identifique que uma das partes não foi intimada pela secretaria? |
| 4 | Quais documentos o perito deve levar impressos para a diligência e por quê? |
| 5 | Qual a recomendação técnica quanto ao consumo de água e alimentos no local da perícia? |
| 6 | Como o perito deve proceder em relação a pequenos favores, como o empréstimo de uma caneta? |
| 7 | O que caracteriza a “técnica de condescendência” mencionada no contexto da diligência? |
| 8 | Quais são as duas fases principais que compõem a execução da perícia no local? |
| 9 | Qual a importância de registrar os horários exatos de cada etapa da diligência? |
| 10 | Por que a “cadeia de custódia” é considerada um elemento crítico para a validade da perícia? |
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Chave de Respostas
1. Qual é a finalidade principal do roteiro de perícia e quando ele deve ser elaborado? O roteiro serve como um guia estruturado com informações essenciais (objeto, partes, quesitos) para evitar esquecimentos e organizar a coleta de dados. Ele deve ser elaborado antes do agendamento da perícia, pois o processo de criação ajuda a identificar dúvidas que precisam de estudo prévio.
2. Por que é necessário verificar se todas as partes foram intimadas antes de realizar a diligência? A verificação é crucial para garantir a validade jurídica do ato. Se uma das partes (autores ou réus) não for formalmente intimada, a perícia pode ser impugnada, resultando na anulação de todo o trabalho realizado em campo.
3. O que o perito deve fazer caso identifique que uma das partes não foi intimada pela secretaria? O perito deve entrar em contato com a secretaria/escrivão para informar a falha. A orientação recomendada é cancelar a diligência e remarcá-la com 30 dias de antecedência, permitindo que a secretaria tenha tempo hábil para realizar as intimações corretamente.
4. Quais documentos o perito deve levar impressos para a diligência e por quê? Deve-se levar o roteiro, o despacho nomeador e a comprovação do agendamento/intimação. O formato impresso garante a continuidade do trabalho caso haja falhas tecnológicas (falta de bateria ou sinal) e serve como identificação oficial perante autoridades ou partes.
5. Qual a recomendação técnica quanto ao consumo de água e alimentos no local da perícia? O perito deve levar sua própria água e alimentos (ou café em térmica) para garantir que seu organismo não reaja negativamente a bactérias de uma região diferente. Além disso, manter a autonomia alimentar evita a aceitação de cortesias das partes, preservando a imagem de imparcialidade.
6. Como o perito deve proceder em relação a pequenos favores, como o empréstimo de uma caneta? Embora possa pedir uma caneta emprestada em caso de emergência, o perito deve ser rigoroso em devolvê-la ao final da diligência. O objetivo é evitar que qualquer ato, por menor que seja, possa ser interpretado como o recebimento de um benefício ou presente de uma das partes.
7. O que caracteriza a “técnica de condescendência” mencionada no contexto da diligência? Consiste em ser gentil, atencioso e aparentemente concordar com os relatos das partes. Essa atitude cria um ambiente de tranquilidade que encoraja as pessoas a falarem de forma mais aberta, facilitando a entrega de informações técnicas espontâneas que podem não estar nos autos.
8. Quais são as duas fases principais que compõem a execução da perícia no local? A perícia compõe-se da fase formal, que envolve a oitiva das partes e assistentes para coleta de depoimentos, e da fase material, dedicada à vistoria técnica do objeto, coleta de evidências e fotografias.
9. Qual a importância de registrar os horários exatos de cada etapa da diligência? O registro minucioso de horários (chegada, início da oitiva, início da vistoria e encerramento) serve para documentar a seriedade do trabalho e evitar confusões em casos de múltiplas perícias, além de compor o histórico detalhado do laudo.
10. Por que a “cadeia de custódia” é considerada um elemento crítico para a validade da perícia? A cadeia de custódia garante que o objeto ou prova examinado é o mesmo desde a coleta até a análise final. A ausência ou falha nesse controle pode levar à destruição da validade técnica da perícia e à consequente impugnação do laudo pericial.
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Sugestões de Questões Dissertativas (Formato de Ensaio)
- A Importância do Planejamento Estratégico: Discorra sobre como a elaboração do roteiro de perícia influencia a qualidade técnica do laudo final e a segurança do perito durante a diligência.
- Ética e Imparcialidade em Campo: Analise as condutas recomendadas ao perito judicial no trato com as partes, discutindo o impacto da aceitação de brindes e a importância da neutralidade na coleta de dados.
- Desafios Jurídicos da Diligência: Explique as consequências jurídicas da falta de intimação das partes e como o perito deve mediar essa situação com a secretaria do tribunal.
- Técnicas de Oitiva e Coleta de Dados: Discorra sobre a diferença entre a “verdade dos autos” e as informações obtidas durante a oitiva de campo, destacando como o perito deve filtrar esses dados tecnicamente.
- Rigor Técnico e Cadeia de Custódia: Argumente sobre a relevância de descrever detalhadamente todos os procedimentos de vistoria e manuseio de evidências para a blindagem do laudo contra impugnações.
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Glossário de Termos Chave
Roteiro de Perícia: Documento de apoio criado pelo perito para organizar as informações do processo e guiar a execução da diligência sem esquecimentos.
Assistente Técnico: Profissional contratado por uma das partes para acompanhar a perícia e auxiliar na elaboração de quesitos e análise do laudo.
Cadeia de Custódia: Sistema de controle que documenta toda a história de uma evidência (coleta, manuseio, transporte e análise), garantindo sua integridade.
Condescendência (Técnica): Postura cordial e compreensiva adotada pelo perito para estabelecer rapport com os examinados e facilitar a obtenção de informações.
Despacho Nomeador: Documento oficial em que o juiz designa o perito específico para atuar em determinado processo.
Diligência (de Campo): Ato de deslocamento do perito até o local onde se encontra o objeto da lide para realizar vistorias e exames.
Impugnação: Ato de contestar ou invalidar legalmente a perícia ou o laudo por falhas processuais, técnicas ou de conduta.
Oitiva: Fase da diligência em que o perito ouve os relatos e explicações das partes envolvidas.
Quesitos: Perguntas ou pontos específicos elaborados pelo juiz ou pelas partes que o perito é obrigado a responder tecnicamente no laudo.
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