Tipos de assinaturas de contratos: Manuscrita, digital, eletrônica manuscrita e digitalizada

No cenário jurídico e tecnológico atual, a autenticidade de contratos é um pilar fundamental. Com o avanço da digitalização, surgiram diversas formas de formalizar acordos, cada uma com características técnicas próprias e necessidades distintas de verificação pericial. Entender as diferenças entre assinatura manuscrita, digital, eletrônica manuscrita e digitalizada é essencial para peritos, advogados e qualquer pessoa que lide com documentos contratuais.

O texto detalha os quatro principais formatos de assinaturas de contratos utilizados atualmente e as respectivas áreas de especialização pericial necessárias para validá-los. A assinatura manuscrita tradicional é analisada por peritos grafotécnicos, enquanto a assinatura biométrica exige o conhecimento de um perito papiloscopista. Já a assinatura digital, que utiliza dados tecnológicos e criptografia, e a assinatura digitalizada, que é a cópia eletrônica de um documento físico, demandam a intervenção da computação forense para evitar fraudes. Por fim, a assinatura eletrônica manuscrita, realizada em telas touch, pode exigir uma atuação conjunta entre especialistas em escrita e em informática. O objetivo central é distinguir a natureza técnica de cada método e identificar qual profissional detém a competência legal para realizar cada tipo de perícia.


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Desmistificando os Tipos de Assinaturas em Contratos e as Competências Periciais

Introdução

A transformação digital revolucionou a forma como contratos são celebrados, armazenados e utilizados como prova perante o Poder Judiciário. Se durante décadas a assinatura manuscrita foi praticamente o único mecanismo utilizado para formalizar manifestações de vontade, atualmente convivemos com uma ampla variedade de modalidades de assinatura, cada uma baseada em tecnologias distintas e submetida a diferentes formas de validação técnica.

Essa evolução trouxe inúmeras vantagens, como agilidade, redução de custos, eliminação de barreiras geográficas e maior facilidade na formalização de negócios. Por outro lado, também criou novos desafios para advogados, magistrados, empresas, consumidores e, principalmente, para os profissionais que atuam na produção de provas técnicas.

Em muitos processos judiciais, observa-se uma confusão conceitual significativa entre assinatura manuscrita, assinatura digital, assinatura eletrônica manuscrita, assinatura biométrica e assinatura digitalizada. Frequentemente, esses termos são utilizados como sinônimos, quando na realidade representam tecnologias completamente distintas, sujeitas a métodos de validação igualmente diferentes.

Essa confusão não se limita às partes envolvidas nos litígios. Em diversas oportunidades, advogados, magistrados e até mesmo profissionais da área técnica acabam atribuindo a um especialista competências que pertencem a outra especialidade pericial, comprometendo a correta análise da prova.

O objetivo deste artigo é esclarecer as principais modalidades de assinatura utilizadas atualmente, explicar suas características técnicas, identificar os riscos associados a cada uma delas e demonstrar qual especialidade pericial possui competência para analisar sua autenticidade, integridade e validade jurídica.


Resumo

A evolução tecnológica ampliou significativamente as formas de assinatura utilizadas em contratos, documentos particulares, operações bancárias e transações eletrônicas. Atualmente coexistem diversas modalidades de formalização documental, incluindo assinaturas manuscritas, papiloscópicas, digitais, eletrônicas manuscritas e digitalizadas.

Cada uma dessas modalidades possui mecanismos próprios de autenticação, níveis distintos de segurança e metodologias específicas de validação pericial. Consequentemente, nem toda contestação relacionada a uma assinatura deve ser analisada por um perito grafotécnico, assim como nem toda discussão envolvendo documentos eletrônicos deve ser conduzida por um perito em computação forense.

A correta identificação do tipo de assinatura constitui etapa fundamental para determinar quais exames deverão ser realizados, quais evidências precisam ser preservadas e qual profissional possui competência técnica para emitir conclusões válidas perante o juízo.

Compreender essas diferenças é essencial para evitar equívocos processuais, impugnações inadequadas e conclusões técnicas incorretas.


A Evolução das Assinaturas ao Longo do Tempo

Durante séculos, a autenticação documental esteve vinculada exclusivamente à assinatura manuscrita.

A lógica era simples: uma pessoa manifestava sua vontade mediante a aposição de sua assinatura em um documento físico. A autenticidade era presumida até que surgisse uma contestação.

Com o surgimento da informática, da internet e dos sistemas eletrônicos de contratação, tornou-se necessário desenvolver mecanismos capazes de substituir o papel sem comprometer a segurança jurídica.

Foi nesse contexto que surgiram novas modalidades de autenticação documental, cada uma baseada em fundamentos tecnológicos distintos.

O resultado é que atualmente coexistem diferentes formas de assinatura, frequentemente confundidas entre si, mas que exigem abordagens periciais completamente diferentes.


Tabela explicativa

ipo de AssinaturaDescriçãoMeio de ExecuçãoProfissional CompetenteExemplos ou Variáveis CapturadasNível de Contestabilidade (Inferred)Fonte
ManuscritaForma tradicional feita pela própria mão no papel.Físico (papel).Perito Grafotécnico.Rúbrica, assinatura por extenso, letra de forma.Baixo a Médio (depende da qualidade da grafia e existência de paradigmas).[1]
Papiloscópica (Biométrica)Assinatura feita através da impressão digital humana.Físico ou coletor biométrico.Perito Papiloscópico (frequentemente o grafotécnico).Digital humana (biometria).Baixo (alta singularidade das papilas dérmicas).[1]
DigitalContrato eletrônico assinado via computador ou celular com captura de metadados.Dispositivos eletrônicos/Internet.Perito em Informática/Computação Forense.Hora, data, foto do usuário, número do celular, IP, porta, SMS, e-mail e Hash.Muito Baixo (devido à trilha de auditoria e criptografia Hash).[1]
Eletrônica ManuscritaAssinatura feita com a mão (escrita/desenho) diretamente em telas touch screen.Tablet, Palm ou Smartphone.Perito Grafotécnico (traços) e Perito em Informática (integridade do sistema).Traços/tracejos da rúbrica ou nome desenhados na tela.Médio (pode exigir perícia dupla para validar se o que foi escrito foi o que foi gravado).[1]
DigitalizadaAssinatura feita no papel que depois é passada por um scanner para se tornar digital.Papel e Scanner.Perito em Computação Forense e Documentoscopista.Imagem da assinatura original; passível de montagens ou máscaras (targetas).Muito Alto (fácil de fraudar partes do documento antes da digitalização).[1]

Assinatura Manuscrita

Conceito

A assinatura manuscrita é aquela realizada fisicamente pelo próprio signatário, utilizando caneta, lápis ou instrumento equivalente sobre um suporte material.

Pode se apresentar sob diversas formas:

  • Nome completo;
  • Nome abreviado;
  • Rubrica;
  • Letra cursiva;
  • Letra de forma;
  • Símbolos pessoais recorrentes.

O aspecto mais importante é que os traços são produzidos diretamente pela ação motora humana.

Assinatura Manuscrita

A assinatura manuscrita é a forma mais tradicional e antiga de formalizar um contrato. É realizada pelo próprio punho do signatário, podendo se manifestar através de rubricas, nome por extenso (cursiva) ou letra de forma.

  • Competência Pericial: A análise dessa assinatura é de competência exclusiva do perito grafotécnico. Este profissional avalia a autoria e a autenticidade dos traços manuscritos [02:00].

Características Técnicas

Toda assinatura manuscrita possui elementos individuais que funcionam como uma espécie de “impressão comportamental”.

Entre eles:

  • Velocidade gráfica;
  • Pressão exercida;
  • Inclinação dos traços;
  • Ritmo escritural;
  • Sequência de movimentos;
  • Ataques e remates;
  • Coordenação motora fina.

Essas características são extremamente difíceis de reproduzir de forma perfeita por terceiros.


Competência Pericial

Quando existe contestação quanto à autoria da assinatura manuscrita, a competência pertence ao perito grafotécnico.

A perícia grafotécnica busca responder questões como:

  • A assinatura foi produzida pela pessoa indicada?
  • Houve falsificação?
  • O documento sofreu montagem?
  • Existe imitação servil?
  • Houve decalque?
  • A assinatura foi obtida mediante reprodução mecânica?

O grafotécnico trabalha essencialmente com a análise dos traços.


Diagrama explicativo


Assinatura Papiloscópica (Biométrica)

Conceito

A assinatura papiloscópica ocorre quando a pessoa utiliza sua impressão digital como forma de manifestação de vontade.

Historicamente, esse mecanismo foi amplamente utilizado por pessoas analfabetas ou sem condições de assinar documentos.

Contudo, atualmente também é empregado em sistemas biométricos modernos.

Assinatura Papiloscópica (Biométrica)

Frequentemente utilizada por pessoas que não possuem alfabetização ou escolaridade formal para a escrita, essa modalidade utiliza a impressão digital humana como forma de assinatura [03:33].

  • Competência Pericial: A análise é de competência do perito papiloscópico, embora profissionais grafotécnicos capacitados em papiloscopia também possam atuar nesta área [04:11].

Fundamento Científico

A papiloscopia baseia-se no princípio da unicidade das impressões digitais.

Não existem duas pessoas com impressões digitais idênticas, nem mesmo gêmeos univitelinos.

Os desenhos papilares permanecem estáveis ao longo da vida, tornando-se um dos métodos mais confiáveis de identificação humana.


Competência Pericial

A análise compete ao perito papiloscopista.

O profissional avalia:

  • Minúcias papilares;
  • Bifurcações;
  • Terminações de linhas;
  • Ilhas;
  • Pontos característicos;
  • Correspondência entre impressões.

Em algumas situações, profissionais com formação híbrida em grafotecnia e papiloscopia também podem atuar.


Assinatura Digital

O Que É Realmente uma Assinatura Digital?

Uma das maiores confusões do meio jurídico é acreditar que assinatura digital significa simplesmente assinar um documento pelo computador.

Não é isso.

A assinatura digital é um mecanismo criptográfico.

Ela utiliza algoritmos matemáticos avançados para garantir:

  • Autenticidade;
  • Integridade;
  • Não repúdio;
  • Rastreabilidade.

Assinatura Digital

Diferente da simples digitalização, a assinatura digital é um processo tecnológico robusto realizado através de computadores ou celulares. Durante a coleta, o sistema captura “variáveis de ambiente”, como data, hora, IP, localização, foto do usuário e, frequentemente, confirmações via SMS ou e-mail. Ao final, o arquivo é selado por um Hash, que garante a integridade e a imutabilidade dessas informações [04:31].


Como Funciona

Durante a assinatura são registrados diversos elementos:

  • Data;
  • Hora;
  • Endereço IP;
  • Geolocalização;
  • Dispositivo utilizado;
  • Certificados digitais;
  • Tokens de autenticação;
  • Registros de acesso.

Ao final do processo é gerado um Hash criptográfico.

Esse Hash funciona como uma impressão digital matemática do documento.

Qualquer alteração posterior, mesmo de um único caractere, invalida o Hash original.


Competência Pericial

Quando existe discussão sobre a autenticidade da assinatura digital, a competência normalmente pertence ao perito em computação forense.

Ele irá analisar:

  • Logs do sistema;
  • Certificados digitais;
  • Cadeia criptográfica;
  • Metadados;
  • Registros de autenticação;
  • Integridade dos arquivos.

Nesses casos, a grafotecnia geralmente não possui aplicação.


Assinatura Eletrônica Manuscrita

Conceito

Trata-se da assinatura realizada manualmente em dispositivos eletrônicos.

Exemplos:

  • Tablets;
  • Smartphones;
  • Pads de assinatura;
  • Terminais bancários;
  • Equipamentos de delivery.

O usuário desenha sua assinatura utilizando uma caneta digital ou o próprio dedo.

Assinatura Eletrônica Manuscrita

Esta modalidade gera muitas dúvidas em magistrados. Ela ocorre quando o usuário escreve ou desenha sua assinatura/rubrica em dispositivos como tablets, telas sensíveis ao toque (touchscreen) ou pads de assinatura.

  • Complexidade Pericial: Por envolver tanto o traço manual quanto a tecnologia de captura, pode exigir uma atuação conjunta. O perito grafotécnico avalia os traços e a forma da assinatura. Caso haja contestação sobre a integridade do sistema ou a correlação entre o que foi escrito e o que foi gravado (ex: o sistema ter alterado a identidade do assinante), entra a atuação do perito em computação forense para verificar se a captura foi fiel ao que foi assinado [06:08].

Por Que Ela Gera Tantas Discussões?

Porque mistura características físicas e digitais.

Existe um traço manuscrito.

Mas esse traço foi capturado e armazenado eletronicamente.

Assim, surgem duas questões distintas:

Questão Grafotécnica

A assinatura foi realmente produzida pela pessoa?

Questão Computacional

O sistema armazenou corretamente aquilo que foi assinado?


Competência Pericial Compartilhada

Dependendo da controvérsia, pode haver necessidade de atuação conjunta entre:

  • Perito grafotécnico;
  • Perito em computação forense.

A grafotecnia analisa o gesto gráfico.

A computação forense analisa o sistema de captura e armazenamento.


Assinatura Digitalizada

Conceito

A assinatura digitalizada é simplesmente uma imagem de uma assinatura manuscrita.

Normalmente ela é obtida por:

  • Scanner;
  • Fotografia;
  • Recorte digital.

Posteriormente essa imagem é inserida em um documento eletrônico.

Assinatura Digitalizada

A assinatura digitalizada é, essencialmente, uma imagem de uma assinatura manuscrita que foi digitalizada (escaneada) e inserida em um documento.

  • Riscos e Competência: É a modalidade mais contestável devido à facilidade de fraudes, como a montagem de documentos (onde apenas a parte do contrato que contém a assinatura é mantida, enquanto o texto original é alterado).
  • Análise: A competência geralmente é do perito computacional forense para verificar a integridade e originalidade do arquivo digital. Em casos de confronto entre o documento físico e o digitalizado, o especialista em documentoscopia (muitas vezes o grafotécnico) pode atuar na comparação de paradigmas [10:20].

O Grande Problema

Diferentemente da assinatura digital, a assinatura digitalizada não possui mecanismos nativos de autenticação.

Ela é apenas uma figura.

Consequentemente, pode ser facilmente copiada, colada e reutilizada em inúmeros documentos.


Riscos de Fraude

Entre as fraudes mais comuns encontram-se:

  • Montagem documental;
  • Recorte e colagem;
  • Inserção posterior da assinatura;
  • Alteração do conteúdo após a assinatura;
  • Falsificação digital.

Por essa razão, trata-se de uma das modalidades mais frequentemente questionadas em processos judiciais.


Competência Pericial

Nesses casos, geralmente a atuação principal é da Computação Forense e da Documentoscopia.

Os exames podem envolver:

  • Metadados;
  • Histórico de edição;
  • Estrutura interna do PDF;
  • Camadas do documento;
  • Vestígios de manipulação digital;
  • Comparação documental.

Quando existe confronto com documento físico original, a grafotecnia também pode ser empregada.


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A Importância da Correta Identificação da Modalidade de Assinatura

A Importância da Correta Identificação da Modalidade de Assinatura

A correta identificação da modalidade de assinatura constitui uma das etapas mais importantes de qualquer investigação pericial envolvendo contratos, documentos particulares, instrumentos financeiros, termos de adesão, operações bancárias ou qualquer outro documento que tenha sua autenticidade questionada em juízo. Embora muitas pessoas utilizem genericamente o termo “assinatura” para se referir a qualquer forma de manifestação de vontade, do ponto de vista técnico e pericial existem diferenças profundas entre as diversas modalidades atualmente utilizadas.

Esse cuidado é fundamental porque cada tipo de assinatura possui características próprias, mecanismos distintos de autenticação, vulnerabilidades específicas e, consequentemente, metodologias periciais completamente diferentes para sua validação. Quando a modalidade de assinatura é identificada de forma equivocada, toda a investigação pode seguir um caminho inadequado, comprometendo os resultados da perícia e dificultando o esclarecimento da verdade dos fatos.

Imagine, por exemplo, um contrato assinado eletronicamente por meio de uma plataforma digital que registra endereço IP, geolocalização, data, hora, dispositivo utilizado e autenticação por SMS. Se esse documento for encaminhado para uma perícia grafotécnica tradicional, o perito encontrará um problema imediato: não existem traços manuscritos para serem analisados. Nesse caso, o objeto da perícia não é a escrita da pessoa, mas sim os registros tecnológicos que demonstram quem acessou o sistema, quais mecanismos de autenticação foram utilizados e se houve integridade dos dados armazenados. Trata-se de uma análise típica da computação forense.

Da mesma forma, quando uma assinatura manuscrita é contestada, a simples análise dos metadados do arquivo digital dificilmente será suficiente para responder à questão central do processo. O que precisa ser verificado é a autoria dos traços gráficos, exigindo exames especializados de grafotecnia capazes de avaliar pressão, velocidade, ritmo gráfico, inclinação, ataques, remates e demais características individuais da escrita.

Outro erro recorrente ocorre nas assinaturas eletrônicas manuscritas realizadas em tablets, celulares ou pads de assinatura. Nesses casos, muitas vezes coexistem dois objetos periciais distintos. O primeiro refere-se à autenticidade do gesto gráfico, que pode demandar análise grafotécnica. O segundo refere-se à confiabilidade do sistema eletrônico responsável pela captura, armazenamento e preservação dos dados, exigindo conhecimentos de computação forense. Dependendo da controvérsia apresentada nos autos, pode ser necessária inclusive uma perícia multidisciplinar envolvendo especialistas de ambas as áreas.

A situação torna-se ainda mais delicada quando se trata de assinaturas digitalizadas. Muitas pessoas acreditam que uma assinatura digitalizada possui o mesmo nível de segurança de uma assinatura digital certificada, quando na realidade são conceitos completamente diferentes. Uma assinatura digitalizada é apenas uma imagem de uma assinatura manuscrita inserida em um documento eletrônico. Por não possuir mecanismos criptográficos de proteção, ela pode ser copiada, recortada, colada e reutilizada em inúmeros documentos. Nesses casos, a investigação frequentemente exige conhecimentos de documentoscopia e computação forense para identificar eventuais montagens, alterações ou manipulações do arquivo.

Vídeo explicativo

A identificação incorreta da modalidade de assinatura também pode gerar consequências processuais relevantes. Não é incomum encontrar processos em que as partes formulam quesitos inadequados, impugnações tecnicamente equivocadas ou requerem perícias incapazes de responder às questões realmente controvertidas. Como consequência, há aumento dos custos processuais, necessidade de complementação de laudos, atrasos na tramitação do processo e, em casos extremos, decisões judiciais fundamentadas em análises incompletas ou insuficientes.

Sob a perspectiva do perito judicial, a correta identificação da modalidade de assinatura é igualmente indispensável para delimitar o escopo de atuação. O profissional deve compreender claramente qual é o objeto da controvérsia antes de aceitar a nomeação ou elaborar sua proposta de honorários. Muitas perícias aparentemente simples escondem elevada complexidade técnica justamente porque envolvem diferentes tecnologias de autenticação documental.

Além disso, a evolução tecnológica tem produzido modalidades híbridas de assinatura, combinando elementos biométricos, comportamentais, criptográficos e documentais. Sistemas modernos podem registrar pressão exercida na tela, velocidade de movimentação da caneta digital, coordenadas geográficas, reconhecimento facial, autenticação por múltiplos fatores e certificados criptográficos simultaneamente. Nesses cenários, a correta identificação dos elementos envolvidos torna-se ainda mais importante para determinar quais exames serão necessários e quais especialistas deverão participar da investigação.

Em última análise, a correta identificação da modalidade de assinatura representa o ponto de partida de toda análise pericial documental. Antes de perguntar se uma assinatura é autêntica, falsa, adulterada ou fraudada, é necessário compreender exatamente qual tipo de assinatura está sendo analisado. Somente a partir dessa identificação inicial será possível selecionar a metodologia adequada, definir a especialidade pericial competente e produzir conclusões tecnicamente confiáveis e juridicamente válidas. Trata-se, portanto, de uma etapa essencial para garantir a qualidade da prova técnica e a efetiva busca da verdade nos processos judiciais.

Um dos maiores erros observados em processos judiciais é solicitar perícia inadequada.

Frequentemente encontram-se situações em que:

  • Assinaturas digitais são encaminhadas para grafotécnicos;
  • Assinaturas manuscritas são encaminhadas para peritos de informática;
  • Assinaturas biométricas são tratadas como grafotécnicas;
  • Assinaturas eletrônicas manuscritas recebem análise incompleta.

Antes de definir a metodologia pericial, é indispensável identificar corretamente qual tecnologia foi utilizada na formalização do documento.


Infograma explicativo


Resumo das Competências

Tipo de AssinaturaProfissional PrincipalObservação
ManuscritaPerito GrafotécnicoFoco na autoria dos traços.
PapiloscópicaPerito PapiloscópicoFoco na impressão digital.
DigitalPerito em Computação ForenseFoco nos metadados e integridade (Hash).
Eletrônica ManuscritaGrafotécnico + ComputaçãoVerifica-se o traço e a integridade da captura.
DigitalizadaComputação ForenseFoco na integridade do arquivo digital.

Conclusão

A evolução tecnológica ampliou significativamente as formas de manifestação de vontade nos contratos modernos. Entretanto, essa evolução trouxe novos desafios para a produção da prova técnica e para a atuação dos profissionais do Direito.

Assinaturas manuscritas, papiloscópicas, digitais, eletrônicas manuscritas e digitalizadas são institutos distintos, com fundamentos científicos próprios, níveis diferentes de segurança e metodologias específicas de validação.

A correta compreensão dessas modalidades permite que magistrados, advogados, peritos e assistentes técnicos adotem estratégias probatórias mais eficientes, reduzam equívocos processuais e obtenham conclusões mais confiáveis.

Em última análise, a pergunta mais importante não é apenas “a assinatura é verdadeira?”, mas sim “que tipo de assinatura estamos analisando?”. Somente após responder corretamente a essa questão será possível definir o método pericial adequado e alcançar conclusões tecnicamente seguras e juridicamente válidas.


Guia de Estudo: Perícia em Assinaturas de Contratos

Este guia de estudo foi desenvolvido com base nas diretrizes e ensinamentos de Agenor Zapparoli, perito judicial e assistente técnico. O objetivo é fornecer uma compreensão profunda sobre as distinções entre os tipos de assinaturas em contratos, as tecnologias envolvidas e as competências profissionais necessárias para a realização de perícias.

1. Tipos de Assinaturas e Competências Periciais

Abaixo, detalham-se as quatro principais formas de assinaturas utilizadas na atualidade, conforme a análise de Agenor Zapparoli.

A. Assinatura Manuscrita

É a forma mais tradicional de validação de um documento, realizada manualmente pelo próprio punho do signatário.

  • Formatos Comuns: Rúbrica, nome por extenso (letra cursiva) ou letra de forma.
  • Competência Pericial: É de exclusividade do Perito Grafotécnico. Não cabe aos profissionais de informática ou computação analisar este tipo de registro.

B. Assinatura Papiloscópica (Biométrica)

Consiste na utilização da digital humana para assinar um contrato. É amplamente utilizada por indivíduos que não possuem conhecimento da escrita, como indígenas sem escolaridade ou trabalhadores do setor agro que não aprenderam a escrever.

  • Competência Pericial: É de responsabilidade do Perito Papiloscópico. Note-se que, frequentemente, o perito grafotécnico possui formação em papiloscopia em seu currículo, estando apto a realizar essa análise.

C. Assinatura Digital

Realizada em ambiente virtual (computador, celular ou internet), esta modalidade captura diversas variáveis para garantir a autenticidade.

  • Elementos Capturados: Hora, data, fotografia do usuário, número do celular, endereço de IP e porta lógica.
  • Validação: Pode envolver confirmações via SMS ou e-mail. Ao final, é gerado um Hash, que funciona como um selo de segurança que armazena e protege as informações.
  • Competência Pericial: É de competência dos peritos da área de Informática e Computação Forense.

D. Assinatura Eletrônica Manuscrita

Trata-se de uma modalidade híbrida onde o indivíduo utiliza o próprio punho para desenhar sua assinatura ou rúbrica em uma tela sensível ao toque (touchscreen), como tablets ou smartphones.

  • Desafio Pericial: Por envolver o gesto da escrita em um meio eletrônico, pode exigir uma atuação concomitante:
    • Perito Grafotécnico: Analisa os traços e tracejos para verificar se a assinatura corresponde ao padrão do usuário.
    • Perito em Computação Forense: Atua caso haja contestação sobre o sistema, verificando se o que foi coletado pela tela foi exatamente o que foi gravado pelo software (evitando fraudes onde o sistema altera o nome gravado).

E. Assinatura Digitalizada

Não deve ser confundida com a assinatura digital. É o ato de escrever manualmente em um papel físico e, posteriormente, escanear ou fotografar esse documento para transformá-lo em um arquivo digital.

  • Riscos: É altamente contestável, pois o documento pode sofrer adulterações físicas (como a colagem de etiquetas com textos alterados) antes de ser digitalizado.
  • Competência Pericial:
    • Perito em Computação Forense: Analisa a integridade do arquivo digital.
    • Perito em Documentoscopia: Analisa se o documento digitalizado é idêntico ao original, desde que este último esteja disponível para comparação (paradigma de comparação).

2. Quadro Comparativo de Competências

Tipo de AssinaturaMeio de ExecuçãoProfissional Competente
ManuscritaPapel / CanetaGrafotécnico
PapiloscópicaBiometria (Dedo)Papiloscopista
DigitalSoftware / CriptografiaPerito em Computação Forense
Eletrônica ManuscritaTela TouchscreenGrafotécnico e Computação Forense
DigitalizadaScanner / Foto de PapelComputação Forense e Documentoscopista

3. Glossário Técnico

  • Documentoscopia: Área da perícia que analisa a autenticidade de documentos em sua totalidade, verificando suportes, tintas e possíveis alterações físicas.
  • Grafotecnia (ou Grafotécnica): Disciplina que estuda os grafismos com o intuito de determinar a autoria de uma escrita.
  • Hash: Código alfanumérico resultante de um algoritmo que garante a integridade de um arquivo digital. Se o arquivo for alterado, o Hash muda.
  • IP (Internet Protocol): Identificação única de um dispositivo em uma rede, utilizada na assinatura digital para rastrear a origem do ato.
  • Papiloscopia: Ciência dedicada à identificação humana por meio das papilas dérmicas (impressões digitais).
  • Paradigma de Comparação: Documento ou assinatura autêntica utilizada pelo perito como padrão para confrontar com o item suspeito de fraude.

4. Questionário de Fixação

1. Qual o profissional responsável por analisar uma assinatura feita com letra de forma em um contrato de papel? a) Perito em Informática b) Perito Papiloscópico c) Perito Grafotécnico d) Perito em Documentoscopia

2. Na assinatura digital, quais variáveis de ambiente podem ser capturadas para garantir a segurança? a) Apenas o nome e o CPF. b) Data, hora, foto do usuário, IP e porta. c) Apenas o traço do desenho da assinatura. d) O tipo de caneta utilizada sobre o papel.

3. Por que a assinatura eletrônica manuscrita (feita em tablets) pode exigir dois tipos de peritos? a) Porque o juiz sempre exige dois laudos por segurança. b) Porque um analisa os traços da escrita (Grafotécnico) e o outro verifica se o sistema não alterou os dados gravados (Informática). c) Porque é impossível identificar o autor apenas pelo traço em telas digitais. d) Porque a lei brasileira não reconhece assinaturas em tablets.

4. O que caracteriza uma assinatura digitalizada? a) Uma assinatura feita com certificado digital. b) O desenho do nome diretamente na tela do celular. c) O escaneamento de uma assinatura feita previamente em papel. d) O uso da impressão digital em um leitor biométrico.

5. Qual a principal vulnerabilidade de um documento digitalizado citada por Agenor Zapparoli? a) A baixa resolução da imagem. b) A possibilidade de fraudar partes do texto original com etiquetas antes da digitalização. c) A falta de validade jurídica de qualquer documento escaneado. d) O desaparecimento dos traços grafotécnicos.

5. Gabarito

b) A possibilidade de fraudar partes do texto original com etiquetas antes da digitalização.

c) Perito Grafotécnico.

b) Data, hora, foto do usuário, IP e porta.

b) Porque um analisa os traços da escrita (Grafotécnico) e o outro verifica se o sistema não alterou os dados gravados (Informática).

c) O escaneamento de uma assinatura feita previamente em papel.


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