O Perito chegou no local da perícia, mas não tinha ninguém e agora, o que fazer?
Com base no vídeo “O Perito chegou no local da perícia, mas não tinha ninguém e agora, o que fazer?” do canal Perícia Judicial [00:00], apresento um artigo extensivamente explicativo detalhando as orientações do perito judicial Agenor Zapparoli para lidar com essa situação.
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Este vídeo do canal Perícia Judicial oferece orientações práticas para peritos judiciais que se deparam com locais vazios ou fechados no momento de uma diligência agendada. O apresentador destaca a importância de solicitar contatos telefônicos das partes antecipadamente para resolver imprevistos de forma imediata por meio de ligações. Caso o profissional não consiga estabelecer comunicação, a recomendação é registrar a presença no local com fotos e avisos escritos para comprovar o comparecimento. Essa documentação é essencial para fundamentar um pedido de honorários complementares devido ao deslocamento frustrado e à necessidade de uma nova data. O conteúdo serve como um guia para que o especialista proteja seu trabalho e garanta o ressarcimento de custos adicionais causados pela ausência dos envolvidos. Além disso, o autor reforça que a organização prévia e o uso de provas visuais são as melhores estratégias para lidar com falhas de recepção durante o exercício da função.
Introdução
A diligência de campo representa uma das etapas mais importantes da atividade pericial, pois é o momento em que o perito judicial realiza a inspeção técnica direta do objeto da controvérsia, coleta elementos materiais, observa condições ambientais, entrevista envolvidos e produz os registros que servirão de base para suas conclusões técnicas; contudo, apesar do planejamento prévio e da formalidade do procedimento judicial, situações inesperadas fazem parte da rotina prática da perícia, sendo uma das mais problemáticas o não comparecimento das partes ou responsáveis no local agendado; não raramente, o profissional percorre longas distâncias, mobiliza equipe técnica, organiza cronogramas e comparece pontualmente ao endereço indicado apenas para encontrar o imóvel fechado, vazio ou sem qualquer representante apto a recepcioná-lo; diante desse cenário, muitos peritos — especialmente os iniciantes — ficam em dúvida sobre como agir de maneira juridicamente segura, operacionalmente eficiente e financeiramente protegida; a forma como o profissional reage a essa situação pode influenciar diretamente a validade futura da perícia, o ressarcimento de custos operacionais e até mesmo sua credibilidade perante o juízo.
Resumo
O artigo analisa os procedimentos recomendados quando o perito judicial comparece ao local da diligência e não encontra nenhuma das partes ou responsáveis presentes; o texto aborda medidas preventivas de comunicação, estratégias de tentativa de contato imediato, formas de produção de prova documental da ausência, mecanismos de proteção jurídica da atuação pericial e a possibilidade de requerimento de honorários complementares decorrentes do deslocamento frustrado e da necessidade de redesignação da diligência.
A Importância do Planejamento Preventivo na Diligência Pericial
Grande parte dos problemas relacionados ao não comparecimento das partes pode ser minimizada mediante adequada organização prévia da diligência; por essa razão, uma das práticas mais recomendáveis consiste em solicitar formalmente, no momento do agendamento judicial, os contatos atualizados de todos os participantes relevantes da perícia.
Ao requerer nos autos os números telefônicos, e-mails e demais formas de comunicação direta das partes, advogados, assistentes técnicos ou responsáveis pelo local, o perito cria importante mecanismo preventivo para solução rápida de imprevistos operacionais; muitas situações aparentemente graves decorrem apenas de atrasos, desencontros logísticos, dificuldades de localização ou problemas momentâneos de comunicação que podem ser solucionados rapidamente quando existe canal direto de contato.
Essa postura demonstra organização profissional e reduz significativamente o risco de diligências frustradas.
Ação Preventiva: Solicitação de Contatos no Agendamento
A melhor forma de gerenciar um imprevisto é se preparar para ele. A recomendação primordial é que, no momento de apresentar o agendamento da perícia em juízo, o perito já solicite formalmente os telefones de contato de todas as pessoas que irão participar da diligência [03:11].
- Como funciona: No peticionamento do agendamento, estipula-se que as partes forneçam seus números de telefone atuais. Assim, ao darem ciência da data, elas preenchem essa lacuna no processo [03:19].
Tabela explicativa
| Situação ou Problema | Ação Recomendada | Recurso ou Ferramenta | Justificativa/Objetivo | Responsável | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|
| Ausência total de pessoas e falta de comunicação no local | Fixar aviso no local (porta/parede) e realizar registro fotográfico (selfie) comprovando a presença | Papel impresso ou escrito e câmera fotográfica (celular) | Gerar prova física e documental de que o perito compareceu na data e hora marcadas | Perito Judicial | [1] |
| Local fechado ou ausência de responsáveis no horário agendado | Ligar para os contatos fornecidos ou para os advogados das partes | Telefones informados no processo ou roteiro de perícia | Verificar se as partes chegarão ao local ou se a diligência será cancelada | Perito Judicial | [1] |
| Prejuízo financeiro por deslocamento improdutivo (perícia inconclusiva) | Apresentar proposta de honorários complementares para novo deslocamento e nova diligência | Petição ao Excelentíssimo Juiz | Mitigar perdas e atribuir a responsabilidade dos custos a quem deu causa à ausência | Perito Judicial | [1] |
| Prevenção de falta de comunicação no dia da perícia | Solicitar no agendamento que as partes apresentem telefones de contato de todos os participantes | Petição de agendamento de perícia | Permitir contato imediato caso o local esteja fechado ou não haja ninguém | Perito Judicial | [1] |
| Impossibilidade de contato telefônico direto com as partes no local | Entrar em contato com a secretaria do tribunal para solicitar contato do advogado | Telefone da secretaria ou Escrivão | Tentar uma última via de comunicação antes de dar a diligência por encerrada | Perito Judicial | [1] |
A Formalidade da Intimação e a Responsabilidade das Partes
Quando a perícia é regularmente agendada e as partes são formalmente intimadas pelo juízo, cria-se obrigação processual de cooperação com a produção da prova técnica; isso significa que os envolvidos devem garantir condições mínimas para realização da diligência, incluindo acesso ao imóvel, presença de representantes e viabilização operacional da inspeção.
O comparecimento do perito ao local designado não constitui simples favor prestado às partes, mas cumprimento de encargo judicial formal; dessa forma, a ausência injustificada dos responsáveis ou o fechamento do local no horário agendado representa violação do dever processual de colaboração, podendo gerar consequências jurídicas e financeiras relevantes.
Por essa razão, o profissional jamais deve tratar o insucesso da diligência como problema exclusivamente pessoal ou assumir sozinho os prejuízos decorrentes da ausência injustificada dos envolvidos.
A Conduta Inicial ao Encontrar o Local Vazio
Ao chegar ao endereço indicado e constatar ausência total de pessoas aptas a recepcionar a diligência, o perito deve adotar postura imediatamente ativa e documental; o primeiro passo consiste em tentar contato direto com os responsáveis previamente identificados.
As ligações telefônicas devem ser realizadas de maneira formal e objetiva, identificando claramente o profissional, o processo judicial e a finalidade do contato; além de buscar solucionar rapidamente eventual desencontro operacional, essa tentativa demonstra boa-fé, diligência e comprometimento do perito perante o juízo.
Dependendo da situação concreta, o profissional poderá avaliar se existe razoabilidade em aguardar determinado período ou se o cenário já caracteriza efetiva inviabilidade da diligência.
O que fazer quando o Perito chega ao local da perícia e não encontra ninguém?
No âmbito da perícia judicial, um dos cenários mais frustrantes e complexos para o profissional é o não comparecimento das partes no dia e horário agendados. Imagine a situação: a perícia foi marcada com 30 dias de antecedência, o tribunal intimou formalmente todas as partes envolvidas e, ao chegar no endereço correto, o perito encontra as portas fechadas e o local completamente vazio [00:16].
Para orientar peritos e assistentes técnicos que enfrentam esse dilema, reunimos um passo a passo estratégico e jurídico baseado nas práticas recomendadas pelo perito Agenor Zapparoli [00:00].
Diagrama explicativo

O Passo a Passo ao Chegar no Local Vazio
Se a prevenção não evitou o sumiço dos envolvidos, o perito deve adotar uma postura proativa e documental imediatamente:
Passo A: Tentar o contato direto
Se você seguiu a dica preventiva e possui os números, use-os imediatamente [03:38].
- Ligue e se identifique formalmente: “Olá, sou o perito designado pela Vara X do Tribunal Y. Temos uma perícia agendada para este exato momento, estou no local e está tudo fechado” [03:44].
- A partir daí, dependendo da justificativa e do atraso, avalie se é possível aguardar ou se a diligência será dada por encerrada por insucesso [04:00].
Passo B: Acionar os advogados ou a secretaria
Caso não possua os telefones das partes ou ninguém atenda, recorra aos patronos da causa [04:21].
- No roteiro da perícia: É recomendável que o perito sempre leve consigo um roteiro contendo o número dos advogados (que constam nas petições do processo) [04:54]. Ligue para eles para informar a situação [05:09].
- Acionar a Secretaria Judicial: Se ainda assim faltarem dados, ligue para a secretaria da vara e informe a situação ao escrivão, solicitando o contato emergencial do advogado responsável [04:31].
O Contato com Advogados e Secretaria Judicial
Quando não houver resposta direta das partes ou inexistirem contatos previamente disponibilizados, o próximo passo recomendável consiste em acionar os advogados constituídos no processo; frequentemente, os patronos conseguem localizar rapidamente seus clientes ou esclarecer eventuais problemas relacionados ao comparecimento.
Por essa razão, é extremamente prudente que o perito leve consigo, durante todas as diligências, um roteiro organizacional contendo informações relevantes do processo, incluindo contatos dos advogados constantes nos autos.
Persistindo a impossibilidade de localização, também pode ser necessário entrar em contato com a secretaria judicial responsável pelo feito, comunicando imediatamente o ocorrido ao escrivão ou servidor competente; além de demonstrar transparência institucional, essa providência cria importante registro indireto de que o perito efetivamente compareceu ao local e tentou viabilizar a realização do ato.
Infográfico explicativo
A Produção de Provas da Presença do Perito no Local
Uma das etapas mais importantes da blindagem jurídica da atuação pericial consiste na produção imediata de elementos comprobatórios de que o profissional esteve presente no local, na data e horário oficialmente designados para a diligência.
Isso ocorre porque, futuramente, podem surgir alegações questionando o efetivo comparecimento do perito, especialmente quando a diligência fracassa e há discussão sobre responsabilidade pelos custos do retrabalho; diante desse risco, o profissional deve produzir documentação material robusta da ocorrência.
Uma prática extremamente recomendável consiste em elaborar aviso escrito informando que o perito compareceu ao local para cumprimento da diligência judicial, mencionando data, horário, número do processo e circunstância de ausência dos responsáveis; esse aviso pode ser fixado temporariamente na entrada do imóvel ou em local visível da fachada.
Além disso, o registro fotográfico possui enorme relevância probatória; fotografias que demonstrem claramente a fachada do imóvel fechado, o aviso fixado e a presença física do perito no local constituem importantes elementos de comprovação material da diligência frustrada.
Esses registros funcionam como verdadeira salvaguarda jurídica da atuação profissional.
Blindagem Jurídica e Produção de Provas
Se todas as tentativas de contato falharem e ficar claro que ninguém comparecerá, o perito não deve apenas ir embora de mãos vazias. É fundamental produzir provas incontestáveis de que você cumpriu o seu dever profissional no local, data e horários combinados [05:24].
- Deixe um aviso físico: É uma excelente prática levar um papel impresso ou escrever uma nota de próprio punho dizendo: “Eu, perito judicial, estive neste local na data X e horário Y para cumprimento da diligência do processo Z, porém o local encontrava-se fechado e sem representantes” [05:34]. Fixe esse aviso na porta ou parede do imóvel [05:50].
- Faça o registro fotográfico (Selfie): Tire uma foto (estilo selfie) onde apareça claramente o seu rosto, o aviso fixado e a fachada do local fechado [05:50]. Isso servirá como elemento material anexo ao processo para comprovar que você esteve lá [06:13].
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O Retorno ao Processo: Honorários e Custos Complementares
O deslocamento do perito (e eventualmente de sua equipe) gera custos de transporte, tempo e logística [06:29]. Quando a diligência é frustrada por culpa exclusiva das partes que foram intimadas e não compareceram, o perito não deve arcar com esse prejuízo [06:36].
- Proposta de Honorários Complementar: Ao retornar para sua base, o perito deve peticionar ao juiz informando que a perícia restou inconclusiva por ausência de recepção no local [06:43].
- Junte a foto e as evidências colhidas e apresente uma proposta complementar de honorários para cobrir as despesas de um novo deslocamento e de uma nova diligência [06:52]. A responsabilidade financeira por esse retrabalho recairá sobre quem deu causa à perda da viagem [06:36].
A Importância da Documentação Fotográfica
No contexto processual moderno, a fotografia tornou-se um dos instrumentos mais eficazes de preservação da prova material; em situações de ausência das partes, imagens georreferenciadas ou registros contendo elementos identificáveis do local ajudam a demonstrar objetivamente o cumprimento da obrigação pelo perito.
Mais do que simples formalidade, a documentação fotográfica protege o profissional contra futuras alegações de negligência, ausência de comparecimento ou abandono da diligência sem justificativa; ao anexar esses registros aos autos, o perito fornece ao magistrado evidência concreta de sua atuação diligente e da inviabilidade ocasionada pela ausência das partes.
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Os Custos Operacionais da Diligência Frustrada
A realização de uma diligência pericial envolve diversos custos operacionais frequentemente invisíveis para quem não atua diretamente na atividade técnica; deslocamento, combustível, pedágios, alimentação, hospedagem, mobilização de auxiliares, equipamentos e reserva de agenda profissional representam despesas efetivas suportadas pelo perito para cumprimento do encargo judicial.
Quando a diligência é inviabilizada exclusivamente pela ausência injustificada das partes ou responsáveis pelo local, não é razoável transferir integralmente ao perito os prejuízos decorrentes desse retrabalho; o sistema processual reconhece que o profissional não pode ser penalizado financeiramente por comportamento inadequado dos envolvidos.
Por essa razão, torna-se legítima a apresentação de pedido de complementação de honorários para cobertura das despesas adicionais decorrentes da necessidade de redesignação da diligência.
O Pedido de Honorários Complementares
Após retornar da diligência frustrada, o perito deve peticionar ao juízo relatando detalhadamente os fatos ocorridos, anexando toda documentação comprobatória produzida no local e informando as tentativas realizadas para viabilizar a inspeção.
Nesse momento, o profissional pode apresentar proposta complementar de honorários destinada a cobrir os custos adicionais gerados pelo deslocamento improdutivo e pela futura necessidade de nova diligência; essa solicitação não representa benefício indevido ao perito, mas mero mecanismo de recomposição dos prejuízos operacionais causados pela ausência injustificada dos envolvidos.
A documentação detalhada do ocorrido fortalece significativamente a possibilidade de deferimento judicial do pedido.
A Postura Profissional do Perito Diante do Imprevisto
Situações de ausência das partes testam diretamente a maturidade profissional do perito judicial; agir impulsivamente, abandonar o local sem documentação ou deixar de registrar formalmente o ocorrido pode fragilizar seriamente a posição do profissional perante o juízo.
Ao contrário, uma atuação organizada, técnica, documentada e juridicamente cautelosa demonstra elevado grau de profissionalismo, reforçando a credibilidade institucional do perito e transmitindo segurança ao magistrado quanto à seriedade de sua conduta.
O tratamento adequado dos imprevistos faz parte da própria excelência da atividade pericial.
Quais as principais recomendações para evitar o insucesso em diligências periciais?
Para evitar o insucesso em diligências periciais e garantir que o trabalho seja devidamente documentado e remunerado, as fontes sugerem as seguintes recomendações principais:
- Solicitação Antecipada de Contatos: Ao realizar o agendamento da perícia (geralmente com 30 dias de antecedência), o perito deve solicitar formalmente que as partes indiquem os telefones de contato das pessoas que estarão presentes no local para recebê-lo. Esse pedido deve constar na petição de agendamento.
- Preparação do Roteiro de Perícia: É recomendável que o perito leve consigo um roteiro contendo os números de telefone dos advogados das partes, que costumam constar nas petições do processo.
- Comunicação Imediata no Local: Caso o perito chegue ao local e não encontre ninguém, ele deve tentar ligar para os números fornecidos anteriormente. Se não houver sucesso, uma alternativa é entrar em contato com a secretaria da vara (falar com o escrivão) para tentar obter o contato de algum advogado no momento.
- Produção de Prova de Presença: Se mesmo após as tentativas de contato ninguém aparecer, o perito deve documentar sua ida ao local. A recomendação é deixar um aviso escrito (colado na porta ou parede) com o número do processo, data e hora da tentativa. O perito deve, então, tirar uma foto (ou selfie) que mostre claramente o aviso e o local, servindo como prova inequívoca de que ele compareceu conforme agendado.
- Proteção Financeira e Remarcação: Caso a diligência seja inconclusiva por ausência das partes, o perito pode cobrar por uma nova visita. É orientado apresentar uma proposta de honorários complementares ao juiz para cobrir os custos de um novo deslocamento e da nova diligência, uma vez que a responsabilidade pelo insucesso inicial foi de quem deveria tê-lo recepcionado.
Conclusão
O não comparecimento das partes no local da diligência constitui uma das situações mais delicadas da prática pericial, exigindo do profissional equilíbrio operacional, cautela jurídica e capacidade de documentação imediata dos fatos; diante desse cenário, o perito deve agir de maneira ativa, buscando inicialmente solucionar o problema através de contatos diretos, acionamento de advogados e comunicação com a secretaria judicial; persistindo a impossibilidade de realização da perícia, torna-se essencial produzir provas materiais robustas de seu comparecimento e registrar formalmente todas as circunstâncias observadas; além de preservar a validade de sua atuação, essa postura protege o profissional contra prejuízos financeiros indevidos e fortalece sua credibilidade perante o Poder Judiciário; mais do que simples contratempo operacional, a diligência frustrada representa momento em que o rigor documental e a prudência técnica do perito se tornam fundamentais para a preservação da segurança jurídica da prova pericial.
Ao adotar essa postura rigorosa e documentada, o perito resguarda sua autoridade perante o juízo, garante o ressarcimento de seus custos operacionais e mantém a seriedade do rito processual [06:13
, 06:52].
Guia de Estudo: Procedimentos para Ausência de Partes em Diligências Periciais
Autor: Agenor Zapparoli Tema: Protocolos de ação para o perito judicial quando não há recepção no local agendado para a perícia.
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Introdução
Este guia de estudo sintetiza as orientações de Agenor Zapparoli, perito judicial e assistente técnico, sobre como proceder quando, após o agendamento regular e a intimação das partes, o perito comparece ao local da diligência e encontra o ambiente fechado ou sem a presença de responsáveis. O material aborda desde medidas preventivas até a comprovação do comparecimento e a solicitação de honorários complementares.
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Glossário de Termos Chave
| Termo | Definição no Contexto Pericial |
| Assistente Técnico | Profissional contratado por uma das partes para acompanhar o trabalho do perito judicial e elaborar pareceres. |
| Escrivão/Secretaria | Servidor da unidade judiciária (vara) que pode auxiliar o perito com informações de contato constantes nos autos. |
| Intimação | Ato oficial pelo qual se dá ciência às partes sobre o agendamento da perícia (data, hora e local). |
| Peticionamento | Ato de protocolar um documento (petição) no processo, utilizado para informar dados de contato ou solicitar honorários. |
| Proposta Complementar | Solicitação de honorários adicionais para cobrir custos de novo deslocamento e nova diligência devido ao insucesso da anterior. |
| Roteiro de Perícia | Documento de apoio que o perito leva para a diligência, contendo informações essenciais, como números de telefone dos advogados. |
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Síntese de Procedimentos e Boas Práticas
1. Medidas Preventivas (Pré-Diligência)
Para mitigar os riscos de encontrar o local vazio, o perito deve adotar estratégias de comunicação no momento do agendamento (que, idealmente, deve ocorrer com 30 dias de antecedência):
- Solicitação de Contatos: Ao apresentar a data do agendamento, o perito deve solicitar que as partes informem, via petição, os números de telefone das pessoas que estarão presentes no local.
- Preparação de Dados: O perito deve incluir em seu roteiro de perícia os telefones dos advogados das partes, geralmente disponíveis nas petições do processo.
2. Ações Imediatas no Local
Caso o perito chegue no local e data corretos, mas não encontre ninguém:
- Tentativa de Contato Telefônico: Utilizar os números fornecidos pelas partes ou pelos advogados.
- Auxílio da Secretaria: Se necessário, entrar em contato com o escrivão da vara para obter telefones de contato emergenciais.
- Negociação: Verificar se há possibilidade de alguém chegar ao local em tempo hábil ou se a diligência deverá ser dada por encerrada.
3. Produção de Prova de Comparecimento
Se o contato for impossível e a perícia não puder ser realizada, o perito deve documentar sua presença para garantir o direito à remuneração pelo deslocamento:
- Registro Escrito: Escrever um cartaz ou bilhete informando: “Sou o perito judicial do processo [Número], estive aqui na data e hora [X] para a perícia, mas não fui recepcionado”.
- Fixação e Registro Visual: Colar o aviso na porta ou parede do local e tirar uma foto (estilo selfie) que mostre o perito e o aviso colado ao fundo. Isso serve como prova material de que o profissional cumpriu sua obrigação.
4. Gestão de Custos e Honorários
A diligência frustrada gera custos de deslocamento e tempo que não devem ser arcados pelo perito:
- Classificação do Ato: A diligência é reportada como “inconclusiva” ou de “insucesso”.
- Proposta Complementar: O perito deve peticionar ao juiz apresentando uma proposta de honorários complementares para cobrir o novo deslocamento e a nova data de trabalho.
- Responsabilidade Financeira: Os custos repetidos são de responsabilidade da parte que deu causa à não realização da perícia (quem deveria ter recepcionado o perito e não o fez).
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Quiz de Fixação
1. Qual é o prazo de antecedência ideal mencionado por Agenor Zapparoli para o agendamento de uma perícia? A) 7 dias. B) 15 dias. C) 30 dias. D) 60 dias.
2. Qual documento o perito deve levar consigo para facilitar o contato com as partes durante a diligência? A) Apenas a identidade profissional. B) O roteiro de perícia com telefones dos advogados. C) O processo físico completo. D) Uma cópia do contrato de honorários.
3. Caso ninguém atenda o perito no local, qual a primeira ação recomendada antes de abandonar a diligência? A) Registrar um boletim de ocorrência. B) Tentar contato telefônico com as partes ou advogados. C) Invadir o local para realizar a perícia. D) Cancelar o processo imediatamente.
4. Como o perito deve provar que esteve no local da perícia quando não houve recepção? A) Colhendo assinaturas de vizinhos aleatórios. B) Através de uma foto (selfie) com um aviso datado fixado no local. C) Apenas informando por escrito, sem necessidade de fotos. D) Solicitando que o juiz vá ao local verificar.
5. O que o perito deve fazer em relação aos custos de um novo deslocamento após uma perícia inconclusiva por ausência das partes? A) Arcar com os custos como parte de seu trabalho. B) Desistir do caso para não ter mais prejuízo. C) Apresentar uma proposta complementar para novo deslocamento e diligência. D) Dividir os custos igualmente entre todas as partes e o tribunal.
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Gabarito Comentado
C) Apresentar uma proposta complementar para novo deslocamento e diligência. Como o erro foi da parte que não compareceu, o perito tem o direito de cobrar pelos novos custos gerados.
C) 30 dias. Conforme o contexto, este é o prazo padrão de antecedência sugerido para que todos sejam devidamente intimados.
B) O roteiro de perícia com telefones dos advogados. O autor enfatiza que essas informações são cruciais para resolver problemas de comunicação no ato da perícia.
B) Tentar contato telefônico com as partes ou advogados. O contato direto é a primeira tentativa de salvar a diligência ou negociar uma solução imediata.
B) Através de uma foto (selfie) com um aviso datado fixado no local. Esta é a recomendação prática para gerar prova documental de que o perito cumpriu o agendamento.
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